{"id":194,"date":"2026-03-25T23:33:23","date_gmt":"2026-03-25T23:33:23","guid":{"rendered":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/?page_id=194"},"modified":"2026-03-27T09:44:46","modified_gmt":"2026-03-27T09:44:46","slug":"https-jorgelopesdesousa-pt-page_id194","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/?page_id=194","title":{"rendered":"Algumas sugest\u00f5es sobre o funcionamento da justi\u00e7a tribut\u00e1ria"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\"><strong>1. O direito \u00e0 tutela judicial efectiva na jurisdi\u00e7\u00e3o fiscal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;O artigo 20.\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa (CRP) garante o direito \u00e0 tutela judicial efectiva, que inclui o direito a que as causas sejam \u00ab<em>objecto de decis\u00e3o em prazo razo\u00e1vel e mediante processo equitativo<\/em>\u00bb (n.\u00ba 4).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">No processo judicial tribut\u00e1rio a defini\u00e7\u00e3o do que legislativamente se considera \u00abprazo razo\u00e1vel\u00bb \u00e9 feita no artigo 96.\u00ba do C\u00f3digo de Procedimento e de Processo Tribut\u00e1rio (CPPT), em que se estabelece que, para cumprir em tempo \u00fatil a fun\u00e7\u00e3o de tutela plena, efectiva e em tempo \u00fatil dos direitos e interesses legalmente protegidos em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria, o processo judicial tribut\u00e1rio n\u00e3o deve ter dura\u00e7\u00e3o acumulada superior a dois anos contados entre a data da respectiva instaura\u00e7\u00e3o e a da decis\u00e3o proferida em 1.\u00aa inst\u00e2ncia que lhe ponha termo, prazo este reduzido para 90 dias nos meios processuais a que \u00e9 atribu\u00edda natureza urgente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;\u00c9 consabido que nem de longe o referido prazo de dois anos \u00e9 assegurado, o que foi legislativamente reconhecido pelo Decreto-Lei n.\u00ba 81\/2018, de 15 de Outubro, que criou equipas de recupera\u00e7\u00e3o de pend\u00eancias para os processos entrados at\u00e9 31-12-2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Embora o resultado do trabalho dessas equipas tenha eliminado grande parte dos processos pendentes entrados at\u00e9 31-12-2012 que estavam sem decis\u00e3o em 1.\u00aa inst\u00e2ncia, ainda actualmente h\u00e1 processo entrados at\u00e9 \u00e0quela data que se encontram sem decis\u00e3o nos tribunais tribut\u00e1rios. (Como informou a Senhora Presidente do Supremo Tribunal Administrativo em declara\u00e7\u00f5es publicadas em 11-03-2022, em https:\/\/portal.oa.pt\/comunicacao\/imprensa\/2022\/03\/11\/demora-nos-tribunais-administrativos-e-fiscais-e-uma-vergonha-admite-presidente-do-supremo\/, \u00ab<em>\u00e9 uma vergonha \u201co ponto a que chegou a morosidade na sua jurisdi\u00e7\u00e3o, onde h\u00e1 processos \u00e0 espera de uma decis\u00e3o h\u00e1 10 ou at\u00e9 20 anos<\/em>\u00bb.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;As tentativas para atenuar o problema desses atrasos nos processos pendentes h\u00e1 mais tempo n\u00e3o visam, obviamente, satisfazer a quantifica\u00e7\u00e3o legislativa feita no n.\u00ba 2 do artigo 96.\u00ba do CPPT da pend\u00eancia m\u00e1xima de dois anos em 1.\u00aa inst\u00e2ncia, mas apenas procurar eliminar as pend\u00eancias mais longas, o que significa que se est\u00e1 longe de assegurar a tutela judicial efectiva nos termos legalmente definidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Segundo foi informado nas Jornadas de Direito Administrativo e Fiscal realizadas em Coimbra em 11-03-2022, a maior parte dos processos atrasados s\u00e3o de impugna\u00e7\u00e3o judicial, que t\u00eam a dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de seis anos (o que est\u00e1 em sintonia com o que a Autoridade Tribut\u00e1ria e Aduaneira informou, h\u00e1 cerca de 2 anos, sobre a dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia dos processos de impugna\u00e7\u00e3o judicial ser de 5 anos e meio).e de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal, que t\u00eam a dura\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de 50 meses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;A solu\u00e7\u00e3o deste problema passar\u00e1, decerto, pelo aumento do n\u00famero de ju\u00edzes, j\u00e1 que o actual parece ser manifestamente insuficiente para assegurar minimamente a quantidade de servi\u00e7o que \u00e9 exigida aos tribunais tribut\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Mas, esse aumento, para al\u00e9m de, tendencialmente, ter como efeito a diminui\u00e7\u00e3o da qualidade, tem como consequ\u00eancia a insufici\u00eancia das instala\u00e7\u00f5es dos tribunais administrativos e fiscais existentes, que j\u00e1 existe em termos intoler\u00e1veis e tem gerado situa\u00e7\u00f5es inacredit\u00e1veis, de manifesta incompatibilidade com a dignidade exig\u00edvel para o exerc\u00edcio de fun\u00e7\u00f5es jurisdicionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Mas, entrev\u00ea-se que esse aumento n\u00e3o ser\u00e1 uma garantia de uma solu\u00e7\u00e3o, pois em 2004, quando foi implementada a reforma dos tribunais administrativos e fiscais de 2002, havia cerca de 40 ju\u00edzes em 1.\u00aa inst\u00e2ncia na jurisdi\u00e7\u00e3o e actualmente j\u00e1 h\u00e1 mais de 200.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\"><strong>2. O aumento das compet\u00eancias dos tribunais tribut\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;O problema dos atrasos na tramita\u00e7\u00e3o de processos na 1.\u00aa inst\u00e2ncia n\u00e3o existia com esta dimens\u00e3o at\u00e9 2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Se bem me recordo, quando deixei as fun\u00e7\u00f5es de Presidente do Tribunal Administrativo e Fiscal de Braga, em Fevereiro de 2012, estavam pendentes cerca de 2.200 processos tribut\u00e1rios, mas entravam anualmente mais de 1.500, pelo que, apesar de haver processos atrasados, se estava globalmente abaixo do dobro da entrada de processos anual que indicia, em abstracto e em m\u00e9dia, a satisfa\u00e7\u00e3o da exig\u00eancia temporal feita no n.\u00ba 2 do artigo 96.\u00ba do CPPT<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Foi criado ou amplificado com a quantidade de processos relativos a taxas, tarifas e pre\u00e7os que foram remetidos para as compet\u00eancias dos tribunais tribut\u00e1rios, pela via do processo de execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">O problema come\u00e7ou a acentuar-se com as taxas de portagens que passaram a ser cobradas atrav\u00e9s de processo de execu\u00e7\u00e3o fiscal a partir de 2011, na sequ\u00eancia do aditamento pelo Or\u00e7amento do Estado para 2011 (Lei n.\u00ba 55-A\/2010, de 31 de Dezembro) do artigo 17.\u00ba-A \u00e0 Lei 25\/2006, de 30 de Junho, para al\u00e9m de as contra-ordena\u00e7\u00f5es relativas a n\u00e3o pagamento daquelas taxas passarem a ser consideradas fiscais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Com o Decreto-Lei n.\u00ba 113\/2011, de 29 de Novembro, passou-se o mesmo com as taxas moderadoras dos servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Com o or\u00e7amento do estado para 2014 (Lei n.\u00ba 83-C\/2013, de 31 de Dezembro) foi alterado o regime das contra-ordena\u00e7\u00f5es por falta de t\u00edtulo em transportes p\u00fablicos (Lei n.\u00ba 28\/2006, de 4 de Julho), passando as contra-ordena\u00e7\u00f5es a ser tribut\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Posteriormente, passaram ainda inseridas no \u00e2mbito do processo de execu\u00e7\u00e3o fiscal, com os necess\u00e1rios reflexos nas compet\u00eancias dos tribunais tribut\u00e1rios, a cobran\u00e7a coerciva de taxas, tarifas ou pre\u00e7os de estacionamento cobradas por concession\u00e1rios, propinas e quotas de algumas ordens profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;O Supremo Tribunal Administrativo contribuiu tamb\u00e9m para esse aumento de compet\u00eancias dos tribunais tribut\u00e1rios ao entender que lhes cabe conhecer da lit\u00edgios relativos a cobran\u00e7a dos <strong>pre\u00e7os <\/strong>os servi\u00e7os de abastecimento de \u00e1gua (ac\u00f3rd\u00e3o do Pleno do Supremo Tribunal Administrativo de 10-04-2013, processo 015\/12): \u00ab<em>no dom\u00ednio de vig\u00eancia da Lei das Finan\u00e7as Locais de 2007 (Lei n.\u00ba 2\/2007, de 15 de Janeiro) e do Decreto-Lei n.\u00ba 194\/2009, de 20 de Agosto, cabe na compet\u00eancia dos tribunais tribut\u00e1rios a aprecia\u00e7\u00e3o de lit\u00edgios emergentes da cobran\u00e7a coerciva de d\u00edvidas a uma empresa municipal provenientes de abastecimento p\u00fablico de \u00e1guas, de saneamento de \u00e1guas residuais urbanas e de gest\u00e3o de res\u00edduos urbanos, uma vez que, o termo &#8220;pre\u00e7os&#8221; utilizado naquela Lei equivale ao conceito de &#8220;tarifas&#8221; usado nas anteriores Leis de Finan\u00e7as Locais e a que a doutrina e jurisprud\u00eancia reconheciam a natureza de taxas, pelo que podem tais d\u00edvidas ser coercivamente cobradas em processo de execu\u00e7\u00e3o fiscal<\/em>\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Por isso, parece que a melhor solu\u00e7\u00e3o seria retirar todos tribunais tribut\u00e1rios todo esse contencioso das taxas, tarifas e pre\u00e7os, que se reconduzem essencialmente a actos de consumo de bens ou servi\u00e7os e poderiam, com vantagem para os contribuintes, ser atribu\u00eddas a meios alternativos de resolu\u00e7\u00e3o de lit\u00edgios, inclusivamente os v\u00e1rios tribunais arbitrais do consumo j\u00e1 existentes, em conson\u00e2ncia com o previsto na Lei n.\u00ba 144\/2015, de 8 de Setembro, que transp\u00f4s a Diretiva 2013\/11\/UE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 21 de Maio de 2013, sobre a resolu\u00e7\u00e3o alternativa de lit\u00edgios de consumo e estabelece o enquadramento jur\u00eddico dos mecanismos de resolu\u00e7\u00e3o extrajudicial de lit\u00edgios de consumo. (Excep\u00e7\u00f5es ao uso de meios alternativos de resolu\u00e7\u00e3o de lit\u00edgios seriam o caso das taxas moderadoras cobradas pelas hospitais, em face das exclus\u00f5es que constam das al\u00edneas b) e e) do n.\u00ba 2 do artigo 2.\u00ba daquela Lei n.\u00ba 144\/2015, relativa aos \u00ab<em>servi\u00e7os de sa\u00fade prestados aos doentes por profissionais do sector para avaliar, manter ou reabilitar o seu estado de sa\u00fade, incluindo a prescri\u00e7\u00e3o, a dispensa e o fornecimento de medicamentos e dispositivos m\u00e9dicos<\/em>\u00bb e as propinas cobradas por prestadores p\u00fablicos de ensino complementar ou superior; No entanto, na sequ\u00eancia da pandemia da doen\u00e7a COVID 19, as taxas moderadoras deixaram de ser cobradas aos utentes do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Por um lado, est\u00e1-se na maio pare dos casos perante a cobran\u00e7a de receitas de entidades privadas (designadamente concession\u00e1rios), pelo que at\u00e9 conceitualmente se poderia justificar o afastamento da interven\u00e7\u00e3o dos tribunais tribut\u00e1rios para a resolu\u00e7\u00e3o dos lit\u00edgios entre aquelas e os consumidores dos seus bens ou servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Para al\u00e9m disso, estando em causa normalmente quantias reduzidas nos lit\u00edgios relativos \u00e0quelas taxas, a utiliza\u00e7\u00e3o de meios de resolu\u00e7\u00e3o de lit\u00edgios menos onerosos que os tribunais tribut\u00e1rios ser\u00e1 mesmo a \u00fanica forma de assegurar eficazmente a tutela judicial efectiva, que n\u00e3o se compagina com o pagamento m\u00ednimo de 306 euros de taxa de justi\u00e7a para instaurar um oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 execu\u00e7\u00e3o fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Neste contexto, a t\u00edtulo de exemplo esclarecedor, basta ver mo regime de taxas do Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo de Lisboa, que est\u00e3o publicadas em http:\/\/www.centroarbitragemlisboa.pt\/files\/noticias\/RegulamentoTUS.pdf:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">\u2013 Por cada processo a tramitar no Centro e sendo gratuita a fase de Informa\u00e7\u00e3o e Aconselhamento, ser\u00e1 devida pelo reclamante uma taxa inicial de \u20ac10,00, com vista \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do conflito por via da Media\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">\u2013 Ap\u00f3s a fase de Media\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tendo sido obtido acordo, ser\u00e3o as partes convocadas para Arbitragem, sendo ent\u00e3o aplicada, a ambas as partes, uma taxa cujo valor depender\u00e1 do valor da ac\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"has-system-serif-font-family\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">at\u00e9 \u20ac200,00 &#8211; isen\u00e7\u00e3o de pagamento\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-system-serif-font-family\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">de \u20ac200,01 at\u00e9 \u20ac1.000,00 &#8211; \u20ac20\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-system-serif-font-family\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">de \u20ac1.000,01 at\u00e9 \u20ac2.000,00 &#8211; \u20ac30\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-system-serif-font-family\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">de \u20ac2.000,01 at\u00e9 \u20ac5.000,00 &#8211; \u20ac40\u00a0\u00a0<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">\u2013 Est\u00e3o isentas do pagamento de qualquer taxa de utiliza\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os do Centro, as seguintes situa\u00e7\u00f5es: \u2022 Reclamante em situa\u00e7\u00e3o de desemprego \u2022 Reclamante com conflito referente a Servi\u00e7os P\u00fablicos Essenciais \u2022 Reclamante com conflito de valor inferior a \u20ac50,00 \u2022 Impossibilidade de realiza\u00e7\u00e3o de Media\u00e7\u00e3o (ex: empresa incontact\u00e1vel)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Os reflexos negativos do contencioso das taxas, tarifas e pre\u00e7os na tramita\u00e7\u00e3o dos processos de impugna\u00e7\u00e3o judicial foram amplificados pelo facto de as reclama\u00e7\u00f5es em execu\u00e7\u00e3o fiscal terem natureza urgente, nos termos do art. 278.\u00ba, n.\u00ba 6, do CPPT, pelo que s\u00e3o decididos com prioridade sobre os processos de impugna\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\"><strong>3. Medidas para evitar litig\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;A litig\u00e2ncia intensa em mat\u00e9ria tribut\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 negativa, se n\u00e3o for injustificada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">A actividade da Autoridade Tribut\u00e1ria e Aduaneira envolve, por sua natureza a discuss\u00e3o dos limites da legalidade, que s\u00e3o pouco n\u00edtidos num ramo do direito que est\u00e1 em constante muta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">A adequada prossecu\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico que \u00e0 Autoridade Tribut\u00e1ria e Aduaneira incumbe imp\u00f5e-lhe que actue at\u00e9 aos limites do que entende serem as fronteiras da legalidade, discutindo com os contribuintes esses limites e deixando para os tribunais a sua defini\u00e7\u00e3o \u00faltima, como \u00e9 pr\u00f3prio de um Estado de Direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">A compatibiliza\u00e7\u00e3o dessa acutil\u00e2ncia da actividade da Administra\u00e7\u00e3o Tribut\u00e1ria com os direitos dos contribuintes pressup\u00f5e um c\u00e9lere controle dessa actividade pelos tribunais tribut\u00e1rios, designadamente nos processos de impugna\u00e7\u00e3o de actos de liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\"><strong>3.1. Meios de impugna\u00e7\u00e3o administrativa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Os meios de impugna\u00e7\u00e3o administrativa (designadamente reclama\u00e7\u00e3o graciosa e recurso hier\u00e1rquico) t\u00eam funcionado razoavelmente na resolu\u00e7\u00e3o de lit\u00edgios, como se v\u00ea, entre outros, pelo Relat\u00f3rio de Atividades Desenvolvidas de Combate \u00c0 Fraude E Evas\u00e3o Fiscais e Aduaneiras\u201d de 2020 (Dispon\u00edvel em https:\/\/www.portugal.gov.pt\/download-ficheiros\/ficheiro.aspx?v=%3d%3dBQAAAB%2bLCAAAAAAABAAzNLQ0NwEAcXP9iAUAAAA%3d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Eventualmente, para ampliar as possibilidade de resolu\u00e7\u00e3o administrativa de lit\u00edgios, poderia aventar-se a aplica\u00e7\u00e3o do regime de impugna\u00e7\u00e3o administrativa necess\u00e1ria, que j\u00e1 est\u00e1 prevista para algumas situa\u00e7\u00f5es, como impugna\u00e7\u00e3o de autoliquida\u00e7\u00e3o, reten\u00e7\u00f5es na fonte, pagamentos por conta, actos sobre classifica\u00e7\u00e3o pautal, origem ou valor aduaneiro das mercadorias (arts. 131.\u00ba a 133.\u00ba-A do CPPT), actos de fixa\u00e7\u00e3o de valores patrimoniais (art. 134.\u00ba, n.\u00ba 7, do CPPT, actos sobre taxas para as autarquias locais (art. 16.\u00ba, n.\u00bas 2 a 5, do Regime Geral das Taxas das de Autarquias Locais, , aprovado pelo Lei n.\u00ba 53-E\/2006, de 29 de Dezembro).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\"><strong>3.2. Incentivos ao acatamento das decis\u00f5es dos tribunais superiores e aplica\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es por litig\u00e2ncia injustificada<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;No entanto, n\u00e3o \u00e9 de excluir, naturalmente, a exist\u00eancia de actua\u00e7\u00f5es indevidas pela Autoridade Tribut\u00e1ria e Aduaneira, como salientou a Senhora Presidente do Supremo Tribunal Administrativo Dulce da Concei\u00e7\u00e3o Neto ao acusar tamb\u00e9m a m\u00e1quina do Estado de ser respons\u00e1vel pelo excesso de processos que entram na sua jurisdi\u00e7\u00e3o e ter \u00ab<em>falta de vontade da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica em cumprir as decis\u00f5es anulat\u00f3rias dos tribunais<\/em>\u00bb e \u00ab<em>usar e abusar dos meios judiciais ,nos lit\u00edgios com os contribuintes<\/em>\u00bb, interpondo muitos recursos. (Declara\u00e7\u00f5es reproduzidas em https:\/\/portal.oa.pt\/comunicacao\/imprensa\/2022\/03\/11\/demora-nos-tribunais-administrativos-e-fiscais-e-uma-vergonha-admite-presidente-do-supremo\/).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Num contexto econ\u00f3mico e financeiro em que os juros indemnizat\u00f3rios se mant\u00eam em 4% ao ano, apesar de as taxas Euribor estarem predominantemente em valores reduzidos, ser\u00e3o aconselh\u00e1veis solu\u00e7\u00f5es que tendencialmente possam diminuir a litig\u00e2ncia, reduzindo as situa\u00e7\u00f5es em que eles tenham de ser pagos, com a vantagem inerente para o er\u00e1rio p\u00fablico, por um lado, mas tamb\u00e9m para o contribuinte que, n\u00e3o tendo de pagar impostos indevidos, pode afectar os seus recursos a outras actividades, inclusivamente produtivas e potencialmente geradoras de impostos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;O art. 68.\u00ba-A da LGT j\u00e1 prev\u00ea situa\u00e7\u00f5es em que se imp\u00f5e \u00e0 Autoridade Tribut\u00e1ria e Aduaneira o acatamento das decis\u00f5es dos tribunais superiores, impondo a revis\u00e3o de orienta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas quando:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"has-system-serif-font-family\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Versem sobre mat\u00e9ria apreciada em decis\u00e3o sum\u00e1ria por um tribunal superior, nos termos do artigo 656.\u00ba do C\u00f3digo de Processo Civil; ou\u00a0<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-system-serif-font-family\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Exista ac\u00f3rd\u00e3o de uniformiza\u00e7\u00e3o de jurisprud\u00eancia proferido pelo Supremo Tribunal Administrativo; ou \u00a0<\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-system-serif-font-family\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Exista jurisprud\u00eancia reiterada dos tribunais superiores, manifestada em cinco decis\u00f5es transitadas em julgado no mesmo sentido, sem que existam decis\u00f5es dos tribunais superiores em sentido contr\u00e1rio igualmente transitadas em julgado, em n\u00famero superior.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Mas, para al\u00e9m de estas obriga\u00e7\u00f5es s\u00f3 estarem previstas quando h\u00e1 orienta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ricas, constata-se que \u00e9 por vezes a Autoridade Tribut\u00e1ria e Aduaneira continuar a manter as suas posi\u00e7\u00f5es depois de se verificar a situa\u00e7\u00e3o prevista na al\u00ednea c), bem como o contribuinte litigar contra jurisprud\u00eancia dos tribunais superiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Uma forma de desincentivar esta litig\u00e2ncia excessiva, quer pela Autoridade Tribut\u00e1ria e Aduaneira como pelo contribuinte, poderia ser a cria\u00e7\u00e3o de san\u00e7\u00f5es processuais para o seu uso, \u00e0 semelhan\u00e7a da san\u00e7\u00e3o administrativa de \u00ab<em>agravamento da colecta<\/em>\u00bb prevista no artigo 77.\u00ba do CPPT para os casos em que a reclama\u00e7\u00e3o graciosa n\u00e3o ter fundamenta\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Poderia ser \u00fatil aplicar uma solu\u00e7\u00e3o semelhante no \u00e2mbito da impugna\u00e7\u00e3o contenciosa, considerando como presumivelmente \u00ab<em>n\u00e3o ter fundamenta\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel<\/em>\u00bb a litig\u00e2ncia contr\u00e1ria a jurisprud\u00eancia pac\u00edfica dos tribunais superiores, quer pela Autoridade Tribut\u00e1ria e Aduaneira quer pelo contribuinte, mas deixando ao crit\u00e9rio do juiz a aprecia\u00e7\u00e3o da razoabilidade da fundamenta\u00e7\u00e3o, pois podem ser invocados novos fundamentos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\"><strong>3.3. Diminui\u00e7\u00e3o de lit\u00edgios desnecess\u00e1rios&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;S\u00e3o muito frequentes os lit\u00edgios relativos ao princ\u00edpio da especializa\u00e7\u00e3o dos exerc\u00edcios, em sede de IRC, que, na maior parte dos casos acaba por n\u00e3o ter aplica\u00e7\u00e3o por os tribunais entenderem que devem aplicar-se limita\u00e7\u00f5es por for\u00e7a do princ\u00edpio da justi\u00e7a, como h\u00e1 muito vem decidindo o Supremo Tribunal Administrativo ([1] Por exemplo, o ac\u00f3rd\u00e3o do Supremo Tribunal Administrativo de 02-04-2008, processo n.\u00ba 807\/07.)&nbsp;e como a pr\u00f3pria a administra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria j\u00e1 entendeu, a prop\u00f3sito da Contribui\u00e7\u00e3o Industrial, no Of\u00edcio-circular n.\u00ba C-1\/84, de 8-6-84, publicado, com o respectivo parecer, em Ci\u00eancia e T\u00e9cnica Fiscal, n.\u00bas 307-309, p\u00e1ginas 781-791, em que se adoptou o seguinte entendimento, a prop\u00f3sito da quest\u00e3o paralela que se colocava no dom\u00ednio da Contribui\u00e7\u00e3o Industrial:<br><br>&nbsp;\u00ab<em>Sempre que em determinado exerc\u00edcio existam custos e proveitos de exerc\u00edcios anteriores, o tratamento fiscal correspondente dever\u00e1 obedecer \u00e0s seguintes regras:<\/em> <em>a) N\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o dos custos e dos proveitos resultantes de omiss\u00f5es volunt\u00e1rias ou intencionais no exerc\u00edcio em que s\u00e3o contabilizados, considerando-se, em princ\u00edpio, como tais as que forem praticados com inten\u00e7\u00f5es fiscais, designadamente, quando:<\/em><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li class=\"has-system-serif-font-family\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\"><em>est\u00e1 para expirar ou para se iniciar um prazo de isen\u00e7\u00e3o;\u00a0<\/em><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-system-serif-font-family\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\"><em>o contribuinte tem interesse em reduzir os preju\u00edzos em determinado exerc\u00edcio para retirar maior benef\u00edcio do reporte dos preju\u00edzos previsto no artigo 43.\u00ba do C\u00f3digo;\u00a0<\/em><\/li>\n\n\n\n<li class=\"has-system-serif-font-family\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\"><em>o contribuinte pretende reduzir o montante dos lucros tribut\u00e1veis para aliviar a sua carga fiscal.\u00a0<\/em> <em>b) Nos restantes casos, n\u00e3o dever\u00e3o corrigir-se os custos e proveitos de exerc\u00edcios anteriores.<\/em>\u00bb<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Afigura-se que seria \u00fatil que se previssem expressamente limita\u00e7\u00f5es deste tipo, para evitar in\u00fameros lit\u00edgios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\"><strong>3.4. Ampliar a utiliza\u00e7\u00e3o da consulta prejudicial para o Supremo Tribunal Administrativo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">&nbsp;Esta possibilidade est\u00e1 hoje prevista expressamente no contencioso tribut\u00e1rio no art. 122.\u00ba-A (redac\u00e7\u00e3o da Lei n.\u00ba 118\/2019, de 17 de Setembro: \u00ab<em>Quando \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o de um tribunal tribut\u00e1rio de 1.\u00aa inst\u00e2ncia se coloque uma quest\u00e3o de direito nova que suscite dificuldades s\u00e9rias e possa vir a ser suscitada noutros lit\u00edgios, pode o respetivo presidente, oficiosamente ou por proposta do juiz da causa, determinar que se adote o julgamento em forma\u00e7\u00e3o alargada ou a consulta prejudicial para o Supremo Tribunal Administrativo, nos termos do artigo 93.\u00ba do C\u00f3digo de Processo nos Tribunais Administrativos<\/em>\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">J\u00e1 antes da inclus\u00e3o desta norma no contencioso tribut\u00e1rio foi admitida reiteradamente pelo Supremo Tribunal Administrativo a possibilidade de reenvio prejudicial prevista no art. 93.\u00ba do CPTA, aplicando-o subsidiariamente (processos do Supremo Tribunal Administrativo n.\u00bas 015\/12, 01172\/06, 0265\/10, 01128\/06, 0413\/05, 0189\/08, 0175\/07).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Mas, tem sido pouco utilizada. A \u00faltima decis\u00e3o os Supremo Tribunal Administrativo publicada no \u00e2mbito de reenvio foi a de 10-04-2013, proferida no processo n.\u00ba 015\/12.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-system-serif-font-family wp-block-paragraph\" style=\"font-size:clamp(0.984rem, 0.984rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.86), 1.5rem);\">Poderia, eventualmente, tornar-se obrigat\u00f3rio o reenvio, definindo as respectivas situa\u00e7\u00f5es (\u00e0 semelhan\u00e7a do que sucede com o reenvio para o Tribunal de Justi\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. O direito \u00e0 tutela judicial efectiva na jurisdi\u00e7\u00e3o fiscal &nbsp;O artigo 20.\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa (CRP) garante o direito \u00e0 tutela judicial efectiva, que inclui o direito a que as causas sejam \u00abobjecto de decis\u00e3o em prazo razo\u00e1vel e mediante processo equitativo\u00bb (n.\u00ba 4). No processo judicial tribut\u00e1rio a defini\u00e7\u00e3o do que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":40,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"class_list":["post-194","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=194"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/194\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":199,"href":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/194\/revisions\/199"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/40"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jorgelopesdesousa.pt\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}